Simbolismo
Macacos, cachorros, pássaros, um veado, um gato preto — quase nenhum bicho aparece por acaso nos autorretratos de Frida Kahlo. Entenda o que cada um representava.
Poucas artistas construíram uma relação tão íntima com os animais quanto Frida Kahlo. Na Casa Azul, sua residência na Cidade do México, ela dividia o espaço com macacos-aranha, cães da raça xoloitzcuintle, araras, papagaios, pombos e até um veado de estimação chamado Granizo. Não é surpresa, então, que boa parte desses bichos tenha atravessado a porta do ateliê e virado personagem em seus autorretratos — quase sempre carregando um significado que vai muito além da companhia.
Em 1925, ainda adolescente, Frida sofreu um grave acidente de ônibus que fraturou sua coluna, pelve e perna, e a deixou com sequelas pelo resto da vida — incluindo a impossibilidade de levar adiante gestações. Ela chegou a engravidar algumas vezes, mas nenhuma seguiu adiante. Para muitos historiadores de arte, os macacos que aparecem repetidamente em seus quadros — sempre próximos, quase abraçando a artista — simbolizam esse desejo de maternidade não realizado, uma espécie de filho substituto pintado com afeto.
Frida criava exemplares do xoloitzcuintle, o cão pelado mexicano — uma raça milenar ligada, na mitologia asteca, ao deus Xolotl, responsável por guiar as almas dos mortos em sua travessia até o Mictlán, o submundo. A presença desses cães em suas pinturas soma duas camadas: a companhia real de um animal que ela amava, e essa carga simbólica ancestral, ligada à morte e à travessia — temas que Frida revisitou várias vezes, sobretudo depois dos anos marcados por cirurgias e dores físicas constantes.
Frida Kahlo com cachorro
Em "Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor" (1940), pintado logo após o divórcio de Diego Rivera, um gato preto espia por trás do ombro esquerdo de Frida, com o corpo em posição de alerta. A leitura mais comum entre historiadores é a do gato como símbolo de azar e mau agouro — um contraste direto com o macaco calmo que aparece do outro lado da composição. É um dos momentos mais citados da obra da artista, e mereceu um artigo à parte aqui no blog:
Leia: o significado do gato preto
Em "O Veado Ferido" (1946), Frida substitui completamente seu próprio rosto pelo corpo de um veado — na verdade, uma referência ao seu animal de estimação, Granizo — atravessado por flechas, sangrando, em meio a uma floresta seca. Nove flechas, nove árvores: o número nove aparece de forma insistente na composição, remetendo a crenças populares mexicanas ligadas à fatalidade e à proximidade da morte. É considerado um dos autorretratos mais diretos sobre o sofrimento físico que ela carregava desde o acidente de 1925.
✓ Frete grátis para todo o BrasilFoi esse universo simbólico — animais reais que viraram símbolos, dor transformada em imagem — que inspirou a linha de quadros da Frida Kahlo aqui na Lapa Decor. Não são cópias das pinturas originais, e sim releituras decorativas, com efeito de pintura a óleo, impressas em tecido importado e montadas sobre chassi de madeira maciça de demolição com acabamento em borda infinita. A peça está disponível em três variações, todas com a mesma moldura e o mesmo padrão de acabamento:
A variação mais procurada, inspirada no autorretrato de 1940.
Referência direta às aves que Frida mantinha na Casa Azul.
Uma homenagem ao vínculo de Frida com os cães, em versão mais atual.
Dúvidas Frequentes
Frida mantinha diversos animais de estimação na Casa Azul, sua residência na Cidade do México — macacos, cachorros, pássaros, um veado — e boa parte deles vira personagem nos seus autorretratos, quase sempre carregando um significado simbólico ligado a momentos da vida dela.
Para muitos historiadores de arte, os macacos que aparecem em vários autorretratos de Frida simbolizam os filhos que ela não pôde ter, depois do grave acidente de ônibus que sofreu em 1925 e que resultou em sucessivas perdas gestacionais.
Frida criava cães da raça xoloitzcuintle, o cão pelado mexicano, associado na mitologia asteca ao deus Xolotl, guia das almas no caminho até o mundo dos mortos. A presença desses cães em suas pinturas remete tanto à companhia real que ela tinha em casa quanto a essa carga simbólica ancestral.
O gato preto aparece no autorretrato de 1940 "Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor", geralmente interpretado como símbolo de azar e mau agouro, num contraste com o macaco calmo ao seu lado. É o tema do nosso outro artigo, dedicado só a esse quadro.
Não. São releituras decorativas, com efeito de pintura a óleo, impressas em tecido importado e montadas sobre chassi de madeira maciça de demolição — inspiradas na estética e no universo simbólico de Frida Kahlo, sem reproduzir uma obra específica.